quinta-feira, 17 de julho de 2014

Vivências e sabores






No dia 29/06, tivemos mais um encontro do  "Amor em curso".
Olhamos para algumas formas possíveis de se estar em relação com algo, ou alguém. Essas possibilidades de vivências foram por nós nomeadas , ainda que de uma maneira bem ampla, como  gravitação, desejo e projeção.
Ainda tendo em mente essas formas de vivenciar um encontro, ficou bem claro que, nas relações que vamos estabelecendo ao longo da vida, todas essas possibilidades, - e muitas outras - surgem a todo o tempo, nas mais variadas interações. Para nós é muito difícil traçar limites nítidos entre aquilo que vamos vivenciando em nossos encontros com o outro.
E aqui retornamos ao sentido de nossos encontros no “Amor em curso”. Em nenhum momento pretendemos atingir a nitidez cristalina de um conceito que possa ser expresso em alguma definição capaz de "organizar e resolver" nossos relacionamentos.  O que procuramos é uma aproximação do nosso modo de vivenciar os encontros para que estes possam ser melhor "saboreados". Aqui sabor é pensado no seu parentesco etimológico com a palavra saber. Saber é uma forma de saborear, degustar.
Em nosso último encontro explicitamos justamente as dificuldades presentes nas relações, os muitos caminhos e descaminhos que fazem parte dos encontros, principalmente dos amorosos.
Como explicar esse incrível fascínio que o amor nos provoca?
Como pensar esse "sabor" único no nosso viver?
Deixo aqui duas citações que vão nos ajudar a seguir olhando essas questões.
O primeiro é um poema medieval do século XII:
"Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração.
E vão investigando
O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo
E, firmes, os três em um só se harmonizam,
Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce
Daquilo que os olhos tornaram bem-vindos ao coração.
O amor não pode nascer nem ter início senão
Por esse movimento originado do pendor natural.
Pela graça e o comando
Dos três, e do prazer deles,
Nasce o amor, cuja clara esperança
Segue dando conforto aos seus amigos.
Pois, como sabem todos os amantes
Verdadeiros, o amor é bondade perfeita
Oriunda - ninguém duvida - do coração e dos olhos.
Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece:
Amor, fruto da semente pelos três plantada".
                                                                            Guiraut de Borneilh  ( cerca  1138 - 1200)
 
O segundo é apenas uma frase de Platão : "O amor é o desejo de gerar na beleza.”
 
Seguimos nesse processo de aproximação, Seguimos nessa aventura de sabores. Seguimos em curso.
(Texto de Marco Zago)
 
 
 
 
 

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