quarta-feira, 30 de outubro de 2013

No último post a Caroline Tavares citou Campbell. Vou aqui recolocar a citação.

Campbell diz: " Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de es...tar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos".

O trecho convida a uma reflexão sobre o que compreendemos por " um sentido para a vida" e a "experiência de estar vivos".
No encontro de outubro vimos Campbell apontar para algumas pistas que talvez esclareçam melhor esta distinção que ele busca. Foi justamente um trecho que chamou a atenção de alguns amigos petecantes, quando ele coloca que nossa "mente" é "apenas" um órgão secundário, que serve ao nosso corpo.
Claro que apenas um maior contato com o pensamento do próprio Campbell pode realmente esclarecer a real medida de suas palavras. Minha leitura é que com essa ditinção Campbell não busca estabelecer uma hierarquia entre essa ( já bastante problemática) distinção corpo/mente. Acho sim que a submissão da mente se dá em relação a vitalidade, a vida que vive em nós, ou a vida que vive através de nós.
Recentemente um filósofo deu uma entrevista no programa do Jô que pode contribuir muito para essa reflexão.
Aqui segue o link. A entrevista é um pouco longa, por volta de 30 minutos, mas a vale a pena ser assistida com atenção.
 

Um comentário:

  1. Bonito ver alguém tão afinado com uma vocação. Alguém que vibra e nos faz vibrar. Não de modo ingênuo, pois ele bem conhece a instabilidade/mobilidade de tudo o que é vivo. Conhece e acata a interdependência. Faz uso dela.
    Bonito ver alguém se esparramando em um personagem assim. Não que seja algo ensaiado. O personagem simplesmente brota e ele faz uso dele, sem cerimônia. Por pura conexão com algo que sente pulsar em si mesmo e nos mundos que o cercam. E isso que pulsa parece tomar conta de seu corpo, de sua fala. E fala de modo claro sobre temas que surgem para a humanidade ao longo de todos os tempos. Fala de ética. De modo vivo. Com lógica, sentido e conteúdo. Longe, entretanto, das teses, fala da vida.
    Um homem comum. A contemplar a vida de muitos modos. Ele contempla a vida. E a vida o contempla e o convida a vibrar.
    Um homem comum. Bonito de ver. Bonito de viver.
    De algum modo, essa entrevista ilustra de modo quase didático um dos pontos que surgiram no encontro de outubro do Peteca, instigados por uma fala do Campbell sobre a relação mente /corpo.

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