No início de janeiro, o encontro do Peteca aconteceu em torno do filme "Eu Maior", um bonito mosaico desenhado a partir de 30 entrevistados. O tema pra lá de vasto vai se abrindo de muitos modos, com variadas tonalidades. Felicidade, sofrimento, sentido da vida. Pessoas. Palavras. E muito, muitíssimo mais. Olhares, visões, visadas. Movimentos de corpo, pausas, interrogações, afirmações, tudo vai compondo um curioso mosaico/convite. Para os petecantes de plantão, mosaico é riqueza pra se olhar com vagar muitas vezes, coisa pra refletir. Refletir não para analisar, mas talvez apenas para deixar que aquilo se reflita sobre nós.
A fala de cada um nos convida a ouvir, sentir, ver, conhecer, deixar que algo nos toque e reflita em nosso mundo. Mundo. Mundos. Belas imagens vão tecendo o caminho das falas, costurando trechos aqui e ali. Ondas, gotas de chuva, carros pela cidade, gente pelas montanhas, flores se abrindo, cardumes, nuvens correndo céu, elevador... Tudo remete a movimento.
Os detalhes me deliciam. Movimento das mãos de um, olhar de indagação e abertura de outro, um modo de respirar aqui, um modo de olhar e não olhar ali, uma emoção acolá. Gente falando da vida dá gosto de ver. E de ouvir. A música delicada participa do tecer. E música é bem assim, sons e silêncios a contar o que palavras nem sempre dão conta. Ah, a arte é campo maravilhoso de afetos.
Depois do filme, a prosa vai abrindo devagar. A cada encontro do Peteca, a felicidade se oferece um cadinho. Compartilhar olhares, indagações, movimentos e pausas. Falar do que nos toca. Calar o que nos toca. Deixar que cada coisa reverbere sem pressa. Petecar tem sido assim.
Gerar espaço em nós. Gerar espaço entre nós. Convidar a vida a habitar espaços. Convidar-se à própria vida.
por Teresa Bessil

O Peteca é um presente! É um exercício de abertura, é fluxo, é dança de diferenças e semelhanças. Escrevi em alguma reflexão pós-peteca que somos um pequeno grupo criando um espaço, agora leio sua reflexão Teresa, geração de espaços. É isso.
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