quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Encontro de outubro - A Jornada do Herói

Queridos amigos, em nosso último encontro assistimos a uma pequena parte de uma entrevista realizada com Joseph Campbell. A entrevista em sua íntegra foi publicada na forma de livro e também em uma caixa com 4 DVD´s, ambos com o nome "O poder do mito".

As colocações feitas pelos "petecantes" presentes ao encontro me levaram a algumas reflexões.

Joseph Campbell foi um dos maiores especialistas em mitos, com uma vasta obra sobre o tema. Contudo, em sua entrevista, Campbell não nos fala apenas sobre mitos, mas principalmente nos fala a partir dos mitos. Campbell fala sobre vida.

Questão: mas afinal, atualmente, o que os mitos teriam a contribuir para a vida de alguém?

No século XIX, auge do positivismo e do evolucionismo, a cultura humana foi pensada como um organismo em evolução. O primeiro momento seria o estágio mítico/religioso, que teria sido superado pelo estágio filosófico, para finalmente ser suplantada pelo estágio científico.

Não é difícil perceber o quanto tal visão ainda é vigente. Usualmente "mito" é tudo aquilo que não é verdadeiro e que não pode ser verdadeiro.

Em um mundo direcionado pelo pensamento técnico/científico, o que poderiam nos trazer os mitos?

O que pessoas como Campbell nos mostram é que os mitos nos dizem algo que de alguma forma se mostra verdadeiro. Certamente não falamos aqui da verdade científica! Talvez nos mitos encontremos algo de verdadeiro em uma forma diferente de verdade, talvez mais próxima daquilo que experimentamos quando ouvimos uma música ou um poema e sentimos que ali está expresso algo verdadeiro, algo que não poderia ser melhor expresso em nenhuma outra forma.

Sobre o que tratam os mitos? Basicamente sobre mudanças, transformações, momentos fundadores, etc. Muitas vezes realizados pelo herói que parte em uma jornada, que parte em uma aventura.

Os mitos nascem e falam para algum lugar em nós que "reconhece", "vê", é capaz de, em alguma forma, "acolher" a aventura, mesmo que tal reconhecimento não se dê de forma clara e tematizada. No encontro de setembro falamos sobre porque os patos não tocam rock 'n' roll. Os patos também não "visam" a aventura. Olhando por esse aspecto, a aventura diz respeito ao humano, à vida humana.

Aventura e vida humana: o que isso tem a ver ?

O que nos sugere a palavra aventura? Podemos pensar em muitas coisas. Uma delas é que uma aventura não é um passeio. Aventura enquanto jornada envolve risco. O herói (se não for da Marvel Comics,etc) corre riscos. Risco de perder-se, de não chegar. Enfim, não há garantias.

O que isso tem a ver com a vida? Talvez nada ,se pensarmos vida como um processo biológico ou como uma propriedade que alguns corpos apresentam.

Porém, se voltarmos nossa atenção para a vida que de fato vivemos, talvez a ligação aventura/vida humana se mostre com outras cores.

Continuamos essa conversa no próximo post.

                                                                        Marco Aurélio Zago

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