No dia
29/06, tivemos mais um encontro do "Amor em curso".
Olhamos
para algumas formas possíveis de se estar
em relação com algo, ou alguém. Essas possibilidades de vivências foram por
nós nomeadas , ainda que de uma maneira bem ampla, como gravitação, desejo e projeção.
Ainda tendo
em mente essas formas de vivenciar um encontro, ficou bem claro que, nas
relações que vamos estabelecendo ao longo da vida, todas essas possibilidades,
- e muitas outras - surgem a todo o tempo, nas mais variadas interações. Para
nós é muito difícil traçar limites nítidos entre aquilo que vamos vivenciando
em nossos encontros com o outro.
E aqui
retornamos ao sentido de nossos encontros no “Amor em curso”. Em nenhum momento
pretendemos atingir a nitidez cristalina de um conceito que possa ser expresso
em alguma definição capaz de "organizar e resolver" nossos
relacionamentos. O que procuramos é uma aproximação do nosso modo de vivenciar
os encontros para que estes possam ser melhor "saboreados". Aqui sabor é pensado no seu parentesco etimológico
com a palavra saber. Saber é uma
forma de saborear, degustar.
Em nosso
último encontro explicitamos justamente as dificuldades presentes nas relações,
os muitos caminhos e descaminhos que fazem parte dos encontros, principalmente
dos amorosos.
Como
explicar esse incrível fascínio que o amor nos provoca?
Como pensar
esse "sabor" único no nosso viver?
Deixo
aqui duas citações que vão nos ajudar a seguir olhando essas questões.
O primeiro
é um poema medieval do século XII:
"Assim, pelos olhos,
o amor atinge o coração:
Pois os olhos são
os espiões do coração.
E vão investigando
O que agradaria a
este possuir.
E quando entram em
pleno acordo
E, firmes, os três
em um só se harmonizam,
Nesse instante
nasce o amor perfeito, nasce
Daquilo que os
olhos tornaram bem-vindos ao coração.
O amor não pode
nascer nem ter início senão
Por esse movimento
originado do pendor natural.
Pela graça e o comando
Dos três, e do
prazer deles,
Nasce o amor, cuja
clara esperança
Segue dando
conforto aos seus amigos.
Pois, como sabem
todos os amantes
Verdadeiros, o amor
é bondade perfeita
Oriunda - ninguém
duvida - do coração e dos olhos.
Os olhos o fazem
florescer; o coração o amadurece:
Amor, fruto da
semente pelos três plantada".
Guiraut de Borneilh ( cerca 1138 - 1200)
O segundo é
apenas uma frase de Platão : "O amor
é o desejo de gerar na beleza.”
Seguimos
nesse processo de aproximação, Seguimos nessa aventura de sabores. Seguimos em
curso.
(Texto de
Marco Zago)