quarta-feira, 30 de outubro de 2013

No último post a Caroline Tavares citou Campbell. Vou aqui recolocar a citação.

Campbell diz: " Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de es...tar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos".

O trecho convida a uma reflexão sobre o que compreendemos por " um sentido para a vida" e a "experiência de estar vivos".
No encontro de outubro vimos Campbell apontar para algumas pistas que talvez esclareçam melhor esta distinção que ele busca. Foi justamente um trecho que chamou a atenção de alguns amigos petecantes, quando ele coloca que nossa "mente" é "apenas" um órgão secundário, que serve ao nosso corpo.
Claro que apenas um maior contato com o pensamento do próprio Campbell pode realmente esclarecer a real medida de suas palavras. Minha leitura é que com essa ditinção Campbell não busca estabelecer uma hierarquia entre essa ( já bastante problemática) distinção corpo/mente. Acho sim que a submissão da mente se dá em relação a vitalidade, a vida que vive em nós, ou a vida que vive através de nós.
Recentemente um filósofo deu uma entrevista no programa do Jô que pode contribuir muito para essa reflexão.
Aqui segue o link. A entrevista é um pouco longa, por volta de 30 minutos, mas a vale a pena ser assistida com atenção.
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Encontro de outubro - A Jornada do Herói

Queridos amigos, em nosso último encontro assistimos a uma pequena parte de uma entrevista realizada com Joseph Campbell. A entrevista em sua íntegra foi publicada na forma de livro e também em uma caixa com 4 DVD´s, ambos com o nome "O poder do mito".

As colocações feitas pelos "petecantes" presentes ao encontro me levaram a algumas reflexões.

Joseph Campbell foi um dos maiores especialistas em mitos, com uma vasta obra sobre o tema. Contudo, em sua entrevista, Campbell não nos fala apenas sobre mitos, mas principalmente nos fala a partir dos mitos. Campbell fala sobre vida.

Questão: mas afinal, atualmente, o que os mitos teriam a contribuir para a vida de alguém?

No século XIX, auge do positivismo e do evolucionismo, a cultura humana foi pensada como um organismo em evolução. O primeiro momento seria o estágio mítico/religioso, que teria sido superado pelo estágio filosófico, para finalmente ser suplantada pelo estágio científico.

Não é difícil perceber o quanto tal visão ainda é vigente. Usualmente "mito" é tudo aquilo que não é verdadeiro e que não pode ser verdadeiro.

Em um mundo direcionado pelo pensamento técnico/científico, o que poderiam nos trazer os mitos?

O que pessoas como Campbell nos mostram é que os mitos nos dizem algo que de alguma forma se mostra verdadeiro. Certamente não falamos aqui da verdade científica! Talvez nos mitos encontremos algo de verdadeiro em uma forma diferente de verdade, talvez mais próxima daquilo que experimentamos quando ouvimos uma música ou um poema e sentimos que ali está expresso algo verdadeiro, algo que não poderia ser melhor expresso em nenhuma outra forma.

Sobre o que tratam os mitos? Basicamente sobre mudanças, transformações, momentos fundadores, etc. Muitas vezes realizados pelo herói que parte em uma jornada, que parte em uma aventura.

Os mitos nascem e falam para algum lugar em nós que "reconhece", "vê", é capaz de, em alguma forma, "acolher" a aventura, mesmo que tal reconhecimento não se dê de forma clara e tematizada. No encontro de setembro falamos sobre porque os patos não tocam rock 'n' roll. Os patos também não "visam" a aventura. Olhando por esse aspecto, a aventura diz respeito ao humano, à vida humana.

Aventura e vida humana: o que isso tem a ver ?

O que nos sugere a palavra aventura? Podemos pensar em muitas coisas. Uma delas é que uma aventura não é um passeio. Aventura enquanto jornada envolve risco. O herói (se não for da Marvel Comics,etc) corre riscos. Risco de perder-se, de não chegar. Enfim, não há garantias.

O que isso tem a ver com a vida? Talvez nada ,se pensarmos vida como um processo biológico ou como uma propriedade que alguns corpos apresentam.

Porém, se voltarmos nossa atenção para a vida que de fato vivemos, talvez a ligação aventura/vida humana se mostre com outras cores.

Continuamos essa conversa no próximo post.

                                                                        Marco Aurélio Zago

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Encontro de outubro - parte 1

E o ciclo Primavera segue com bons ventos. Agradecemos aos que vieram petecar conosco e aos que não vieram mas estiveram presentes assim mesmo.
A prosa no sábado trouxe mitos e heróis como um convite para debruçarmos um olhar - muitos olhares - em temas que tocam a cada um de nós. O que nos chama a viver, o que nos faz pulsar? Como seguir os chamados? Como perder a si mesmo para encontrar/conhe...cer a si mesmo e seu lugar no mundo? Como compartilhar descobertas? Como abrir espaço em nossas tantas convicções, que muitas vezes nos distanciam da vida vivida, para deixar pulsar aquilo que será nossa bem aventurança? Como manter na vida cotidiana a inspiração que nos movimenta vez em quando?
Inspirados pela fala de Joseph Campbell, passeamos juntos por essas e muitas outras saborosas reflexões. Como ele mesmo diz, mitos e sonhos surgem do mesmo lugar, e não podem ser previstos. Mas o mistério lança um perfume, que pode movimentar nossas consciências ao longo dessa que talvez seja a maior das aventuras: estar vivo.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Drops para o encontro de outubro - frases de Joseph Campbell 2



We must let go of the life we have planned so as to accept the one that is waiting for us.

( em uma tradução livre seria algo como: precisamos abrir mão da vida que temos planejado para que possamos acolher aquela que está esperando por nós.)

 
 

Drops para o encontro de outubro - frases de Joseph Campbell 1

" Life is like arriving late for a movie having to figure out what is going on"

(Em uma tradução livre seria algo assim: viver é como chegar atrasado no cinema e ter que entender o que está acontecendo no filme)

Aperitivos para o encontro de outubro

 
A humanidade lança olhares para si mesma e para os mundos que vê surgir. Sonha meios, destinos, roteiros. De certo modo, os mitos se inserem nesses olhares que controem a experiência humana e serão tema do próximo encontro do Peteca Filosófica Social Clube, dia 19 de outubro. Quando olhamos para os mitos com o devido cuidado, eles se mostram com uma riqueza que está muito além de meras narrativas extraordinárias.

Para falar de mitos, ninguém melhor que Joseph Campbell. Para os que não o conhecem, esse vídeo apresenta uma pequena seleção de frases que traduzem o modo inspírador e profundo desse professor. Para aquecer o encontro do Peteca - e os encontros da vida - a cada dia iremos comentar uma das frases. Para inspirar, para convidar, para prosear. Enfim, para "petecar".

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Nosso encontro de setembro

O ciclo primavera do Peteca começou com o pé direito. Ou seria melhor dizer com o “ouvido direito + esquerdo + coração +...”? O encontro da tarde de sábado seguiu noite adentro, e foi desenhado por uma saborosa experiência sonora. Desde sempre a arte nos lança convites, sinaliza conteúdos e nos auxilia a reconhecer a magia dos mundos que surgem diante de nós e os mundos nos quais surgimos todo o tempo. Observando sons e músicas, fizemos uma viagem por esse mistério que é o ser humano, e que inclui a capacidade que temos de dotar de significados todos os sons, cores, eventos, encontros, pessoas, tempo e espaço. Quantos mundos surgem na experiência de ouvir um trecho de música? O que é isso que nos movimenta para muito além do que pode ser medido, quantificado, codificado, gravado, reproduzido, etc?

E assim como as músicas nascem da dança de silêncios e sons, abrir-se para a experiência de ouvir músicas - e pessoas - também requer boas doses de silêncio. Sem algum silêncio interno, como podemos ouvir os sons? Sem algum silêncio interno, como podemos ouvir a nós mesmos diante dos sons?

E assim fomos passeando. De Bach a Queen, passeamos por muitos lugares e tempos. Meus olhos molharam aqui e ali, claro. A música tem morada em meu coração. Assim como o silêncio. Assim como os encontros. Agradeço a Marco Zago, que conduziu a travessia, e aos petecantes de plantão. E o Ciclo Primavera segue! Dia 19 de outubro, a travessia será conduzida por Joseph Campbell. Simplesmente imperdível!
                                                                                  Teresa Bessil