segunda-feira, 11 de agosto de 2014

simplicidade e sabedoria


No dia 05 de agosto, realizamos nosso primeiro encontro do "Conversas com Rubem Alves". Começamos com o ótimo texto " Sobre simplicidade e sabedoria" do livro "Concerto para corpo e alma".
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Seguimos o convite à reflexão que o texto nos ...causa. Durante hora e meia a conversa correu solta. Cada um e todos juntos se dando o tempo para pensar sobre essa eterna dinâmica que nos tensiona e nos lança à frente, entre a multiplicidade e a simplicidade - e a sabedoria que pode brotar a partir do nosso transitar entre elas.

Um encontro é sempre coisa única; não há como e nem porque se tentar reproduzir aqui o que acontece em um encontro. Então para continuar cultivando aquilo que possa ter sido despertado na terça, apenas citamos aqui alguns trechos do texto que mais conduziram as conversas.

"As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma só coisa."

"Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos, tem o nome de dever."

"Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue os "muitos" é um coração fragmentado, sem descanso."

"Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir a casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem a multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa."

"Diz o Tao Te Ching:" Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa".

"A sabedoria é a arte de reconhecer e degustar a alegria."
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Do Amor



Do Amor - Moska
Não falo do amor romântico,
aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão,
paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida,
explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto,
formatado, inteiro, antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim,
que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído,
inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta?
O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
o amor será sempre o desconhecido,
a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido,
quer ser violado,
quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
e nós preferimos o leito de um rio,
com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha e
nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
o amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor,
se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita.
Ou melhor, só se Vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.