segunda-feira, 28 de abril de 2014

Amor em curso - caminhos e descaminhos do afeto




"Seguir o curso do Amor é ser por ele orientado. O Amor não segue linhas retas, estradas definidas ou rotas previsíveis. O Amor é o eterno desconhecido." - Marco Zago


 
                                                Afetividade em tempos de efetividade

 
As artes sinalizam. Grandes mestres já nos indicaram inúmeros caminhos. Muitos pensadores lançaram-se nesse terreno. Para o bem e para o mal, os afetos nos mobilizam. Ainda que o Amor - seja lá o que for - pareça conferir sentido à vida, percebemos uma crescente dificuldade em vivê-lo, conhecê-lo - ou reconhecê-lo. Parece ser mais fácil dele falar do que nele habitar. Submersos em um culto à efetividade, novos desafios se mostram.


Mais do que aprender sobre o Amor, podemos aprender a amar? Talvez essa seja a aventura de cada um de nós. Demanda tempo, cuidado. Demanda o nosso próprio viver.

Em meio a tais desafios, o Peteca Filosófica Social Clube lança "Amor em Curso - caminhos e descaminhos do afeto". Um estudo sobre o Amor que se destina muito mais a resgatar uma familiaridade do que meramente listar definições sobre o Amor ou métodos para equacionar nossas relações.

Para compartilhar nossas reflexões sobre essa aventura e apresentar o curso "Amor em Curso - caminhos e descaminhos do afeto", convidamos você ao encontro aberto que será realizado no dia 10 de maio, às 10h, no Espaço da Lopes. Sua presença será uma alegria!


Sonho real?

 
 
Quem sou – desde e até quando, e a partir de quais olhares. No domingo da famosa, surpreendente e ainda assim aguardada ressurreição, o filme – na verdade, uma animação - reúne os seguintes personagens: Coelho da Páscoa, Papai Noel, a Fada do Dente , Sandyman, Jack Frost, um grupo de crianças e o temido Breu. Para crianças, então? Sim. E não. Crianças de todas as idades se divertem nas venturas e desventuras coloridas, mas dependendo do jeito de olhar, é papo de adulto. O que é real, o que é sonho?  O que nos dá sensação de existência? Ah, sim, os personagens são da esfera da fantasia, dos mundos de faz-de-conta. São todos inventados. Sempre são. Será que nós também somos?
 
A grande aventura de Jack Frost é conhecer a si mesmo, estar presente em meio ao que vive, é nascer diante de si mesmo, refletido e junto ao olhar do outro. Papo existencial profundo. Convida e inspira reflexões. E rende boa prosa, como sempre.

Será que a realidade se descreveria somente através do que pode ser visto, tocado, cheirado, medido? Haverá outros modos de olhar e sentir para além das aparências? Por que será que estamos sempre buscando comprovações e sinais que confiram um selo de realidade ao que vivemos?
 
Ah, sim, mas eu ia contar dos personagens. O Coelho da Páscoa, meio marrento, grandalhão, guarda o tesouro da esperança e renovação. Papai Noel, com seus braços tatuados e sua pança sensível, guarda o tesouro do olhar encantado. A Fada do Dente, toda espertinha, guarda as lembranças da infância. Todos contam com muitos auxiliares.  Manter a magia em dia dá um trabalho danado. E uma baita diversão também. Sandyman, um baixinho que se comunica somente através de imagens, guarda nossa capacidade de sonhar. E Jack Frost - sem saber muito bem de si mesmo - se vê convocado a participar de um embate com o Breu, o guardião do medo que detona tudo o que é encantado, transforma sonhos em pesadelos e exaure o potencial de tudo o que é inspirador.
Invisível para todos, Jack não se sabia guardião de um certo tesouro da humanidade: leveza, diversão e riso. Não via a si mesmo. Distraído com suas habilidades, com seus poderes e dúvidas, nunca entendia muito bem o sentido de sua vida. Soa familiar?
 
O roteiro passeia por lugares já descritos pelas artes. A cooperação como o único caminho para a restauração daquilo que é precioso. As alegrias e os sustos da aventura do viver. O medo a fragilizar aquilo que nosso coração sábio vivencia. As perguntas que nos surgem ao longo de toda a caminhada: quem sou? Qual o sentido de ser quem sou? O que é real? O que dota minha existência de realidade e sentido? Quais são os tesouros que valem nossa guarda e cuidado? E como lidar com o medo? Como tirá-lo de seu esconderijo embaixo da cama e lidar com ele?

O medo existe, atua. Pode nos paralisar completamente, ou nos movimentar na direção de belos renascimentos. De algum modo, podemos nos transformar em guardiões do olhar de encantamento e das capacidades de trazer leveza à vida, sonhar e cuidar dos sonhos e das memórias. Encontrar um espaço para que o medo siga existindo sem exaurir aquilo que nos torna visíveis, sem derrotar nossas possibilidades de dotar de sentido tudo o que surge diante de nós, tudo o que nos habita. Encontrar espaços para ser. Descortinar esse encantamento do olhar que faz com que tudo surja – nuvens negras ou douradas.
 
Na prosa de depois, em meio às muitas reflexões, surgiram algumas memórias dos tempos de infância, cenas vividas na crença em Papai Noel, cenas vividas na presença dele, e contemplamos a importância desses personagens todos, esse jeito lúdico de vivenciar tesouros.
 
E agora as fadinhas do dente me trouxeram à lembrança uma propaganda da minha infância que colocava um importante enigma: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”
 
Afinal, acredito porque vejo ou vejo porque acredito?

                                                                          por Teresa Bessil