segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O homem e seu mundo - entre a imanência e a transcendência

" O homem não pode existir senão em comércio e comunhão com o mundo dos entes. Ente significa tudo que de algum modo é: o homem, as coisas, os acontecimentos, até mesmo o Nada, enquanto é um Nada, isto é, enquanto tem significado, seja positivo ou negativo para a existência [...] Do ente o homem não pode prescindir. Em todas as suas indústria e atividades, para pensar e querer, sentindo e amando, na vida e na morte, o homem não se basta a si mesmo. Sempre necessita de algo, que ele mesmo não é. Sem esse outro o homem não pode ser. Edificando-se necessariamente dessa indigência, a existência humana exige que o ente a afete, se lhe dê e manifeste. Para existir o homem tem que imergir-se e entregar-se aos entes. A palavra imanência indica esta contingência. A necessidade do homem de estar sempre presente ao mundo dos entes, para chegar a ser ele mesmo. Exprime que o homem não pode ser o ente que é, senão encarnado no mundo. Em contínua comunhão com os outros entes. A índole específica desse modo humano de ser reside na iluminação da imanência ao mundo pela luz do Ser, na qual os entes aparecem em seu ser: os animais em sua animalidade, os instrumentos em sua instrumentalidade, os homens em sua humanidade. Assim, a palavra, ser, é ambígua. Uma vez significa o modo de ser do ente: a saber, que o ente é e aquilo que é o que é. Outra vez significa o fundamento da possibilidade em virtude da qual o ente se essencializa no seu ser ( ser no primeiro sentido) [...] O comércio com os entes, de que necessita o homem para existir, se sustenta e articula numa pré-compreensão multiforme da Verdade do Ser, vigente na dimensão da linguagem, por cuja força o homem sempre usa a palavra "é". Chama as pessoas e coisas de entes. Com elas se comunica em termos de essência e existência, de constância e mutabilidade, de ser e não-ser, de poder e dever ser, de ser verdadeiro e falso, de vir a ser e sempre ser, de ser presente, passado e futuro. Em todas estas locuções o homem apreende e compreende, colhe e escolhe, une e reúne, confere e difere tudo que lhe advém da totalidade do ente sob o vigor da Verdade do Ser, explicitamente indeterminada mas de extensão e compreensão inesgotável. O termo transcendência indica essa excelência do homem de ultrapassar e superar a obscuridade do ente, com o qual constantemente se comunica em sua existência, iluminando-lhe o sentido, tornando-lhe transparente na luz da Verdade. Já o fato de se usar uma mesma palavra, a saber, luz, para significar tanto um fenômeno externo, a luz do sol, como um fenômeno interno, a luz da verdade, mostra de alguma maneira que o sol não se encontra de modo absoluto e exclusivo fora do homem nem que a verdade se acha de modo absoluto e exclusivo dentro do homem, mas que primária e originalmente o homem sempre existe no mundo, enquanto transcende, e o mundo sempre transcende, enquanto nele existe."

                                                                                                       E. Carneiro Leão

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Felicidade

"A felicidade se acha é em horinhas de descuido."

                                            Guimarães Rosa

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sobre o encontro de setembro

Nosso encontro do dia  28 de setembro será uma tentativa de buscar um "olhar", uma forma de apreensão mais intuitiva daquilo que nos torna propriamente humanos, sem utilizar muitos conceitos ou definições.

Contudo uma questão surge: será isso de algum interesse, alguma utilidade? Não seria isso uma perda de tempo? Afinal, o que pode haver de mais simples? O que é o humano? Todos nós já o sabemos, nós somos humanos. O humano, a vida humana, o mundo humano é isso que " está ai", todos os dias, bem diante de nós. Isso parece simples e óbvio.

 
Será que o simples e óbvio são  "faceis" de se ver? Pode ser que ocorra justamente o contrário; talvez aquilo que nos é mais simples, aquilo que está mais perto de nós seja justamente o que mais facilmente nos escapa.

Existem muitas formas de dizer o humano. Atualmente vem ganhando prestígio pensar o humano como uma sofisticada "máquina" capaz de processar informações, ou seja, o humano como alguma coisa cibernética.

Existem  ainda as formas mais tradicionais, que nos dizem que o homem é o animal que fala, ou ainda, o homem é o animal racional.

Se de forma simples pensarmos em nossa própria vida e nossos relacionamentos, podemos desconfiar que, apesar de não estarem erradas, essas definições parecem insuficientes. Algo lhes falta.

E é justamente uma aproximação deste "algo que falta" que buscaremos em nosso encontro. Quem sabe a partir de um cuidado maior com nosso olhar, encontremos chaves para lidar melhor com o humano em nós e nos outros.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Guardador de rebanhos

"Sou um guardador de rebanhos
O meu rebanho é meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido."

                              Fernando Pessoa
"Sentimos que, mesmo que todas as questões científicas possíveis tenham obtido resposta, nossos problemas de vida não terão sido sequer tocados."

                                                                                                      Wittgenstein

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Agenda - Ciclo Primavera

 

 

 

28/09


Por que os patos não tocam Rock and Roll - a essência do humano

 Nesse encontro vamos buscar uma apreensão não abstrata ou conceitual daquilo que constitui nossa humanidade, a vida humana e o mundo humano.

Afinal, o que nos torna humanos?


 


 
 


19/10

O Poder do Mito: Entrevista com Joseph Campbell



No uso cotidiano, o termo "mito" muitas vezes refere-se a algo falso, mentiroso. Entretanto, se ouvirmos nossa tradição mitológica de forma apropriada, talvez encontremos não apenas estórias fantásticas, mas algo extremamente verdadeiro. Certamente não será a Verdade descrita pela Ciência Moderna, mas uma outra forma de verdade, talvez com outra amplitude e nuances. Para apresentar esse fascinante tema do Mito, ninguém melhor do que Joseph Campbell.


 

16/11

O mito da caverna de Platão

 

O mito da caverna é um dos textos mais conhecidos de toda a filosofia. Certamente exerceu uma gigantesca influência na formação da cultura ocidental. Segundo o filósofo Alfred Whitehead, a história da Filosofia; "não passa de uma sucessão de notas de rodapé da obra de Platão". Ainda que possa haver uma boa dose de exagero na frase de Whitehead, é inegável a importância do discípulo de Sócrates para a forma como nós, ainda hoje, compreendemos o mundo. Contudo, não iremos apresentar o mito para contar a história da filosofia, mas antes, para abordar um tema pouco ou nada grego: a compaixão.

Os Filhos




 
 
"Teus filhos não são teus filhos

São filhos e filhas da Vida, anelando por si própria.

Vêm através de ti, mas não de ti.

E , embora estejam contigo, a ti não pertencem.

Podes dar-lhes teu amor, mas não teus pensamentos.

Pois eles têm seus pensamentos próprios.

Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas.

Pois suas almas residem na casa do amanhã,

    que não podes visitar sequer em sonhos.

Podes esforça-te por te parecer com eles,

    mas não procures fazê-los semelhantes a ti.

Pois a vida não recua e não se retarda no ontem.

Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparadas.

Que a tua inclinação, na mão do arqueiro, seja para a alegria."




                                                                    Gibran Khalil Gibran

O que é o Peteca Filosófica Social Clube?


O Peteca Filosófica é um espaço de encontro.

Um espaço para se conversar sobre temas que não encontram espaço na correria da vida diária.

Frequentemente escuto das mais diversas pessoas sobre a falta que sentem de conversar sobre temas variados como a vida, verdade, justiça, traição, valores. etc. Na maioria das vezes, esses temas não aparecem de forma explícita, mas como o cerne de questões que afligem e movimentam o dia-a-dia. Olhar tudo isso de forma mais profunda do que a permitida em um bar ou uma padaria, e menos acadêmica do que em um curso longo ou mesmo palestras: é nesse "meio do caminho" que o Peteca Filosófica Social Clube se encontra. Abordar temas que são trazidos pela própria vida na medida e na forma que tais temas aparecem.

Cada encontro tem um tema central - fundamentalmente para manter um "norte" para que a conversa não se perca à deriva - e alguns temas transversais, que desenham um eixo vivo e uma unidade.

Não somos um curso.

Não pregamos nenhuma "doutrina". Seguimos "apenas" acolhendo a vida, atentos ao que ela nos traz.